quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Palavras ao vento?


            Cá estou, novamente, soprando algumas palavras...
            Vento sereno, como descrevê-lo sem vê-lo, sem ao menos tocá-lo? Ao menos você me toca, enquanto o sinto fresco, roçando minha pele. Ao menos eu o escuto poetar entre as folhas das árvores alvorossadas, enquanto  beijadas. Não, definitivamente, não preciso vê-lo para sabê-lo. Basta saber sentí-lo sem precisar definir seus limites, que se confundem aos meus conceitos de infinito. De onde veio? Para onde irá? Para quais pensamentos seu  sopro me guiará?
            De repente, você se faz ausente. Noutro instante, retorna em uma corrente ainda mais efusiva. Chacoalha as folhas como nunca! Retorna e me entorna de sua presença massiva.
            Se faz assim, sempre presente, embora as vezes eu não o perceba dedilhando minha pele, beliscando meus sentidos, refrescando minha vida, sereno. Vento, sua amplitude proclama a glória do Eterno, de cujo trono, você é distribuído ao mundo. Quão maiores são os pensamentos do Deus Altíssimo, que habita nas alturas e na profundidade do meu coração, onde vento algum alcança.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Enquanto ele dorme...

Quando se tem um filho em casa, de férias, tem-se pela frente um desafio de magnitude edílica: como fazê-lo parar, quando você quer parar. Na maioria das vezes, esgoto todas as possibilidades em alcançar êxito nesta empreitada. Geralmente, desisto primeiro do que ele.
Esta tarde não foi diferente. Tentei persuadi-lo a descansar para que eu pudesse ler um livro. Por um descuido, declinei ao sono, ainda nem chegando à quinquagésima página do conto. Pensei estar acordada, mas estava, sim, mergulhada num sono confuso entrecortado pela realidade. E, ele era a realidade. Despertou-me, nem sei de que jeito, trazendo-me de volta dos meus devaneios, contra o que protestei veementemente. Não tinha ele este direito! Mas, por fim, assenti que me devolvesse à sobriedade do estado desperto.
Não pode vencê-los, junte-se a eles. Não é o que dizem? Fiz valer o ditado, e, de pronto o chamei para junto de mim começando uma brincadeira. Não foi preciso mais do que um instante para que a nuvem de sonolência se dissipasse. Contudo, em total descompasso entre mãe e filho, foi que o imprevisível aconteceu.
 E ele dormiu. Ele dormiu. Sem que sequer eu o atraísse para essa armadilha. Ele simplesmente se aninhou entre os meus braços. Travada a luta dos seus olhos contra o sono, embebedou-se das histórias contadas pelo silêncio e, sem defesa, entregou-se ao embalo rixoso do relógio tiquetaqueante.
E eu que, até então, torcera pela chagada deste momento, encontrei-me tão desperta ao ponto de me voltar ao computador e escrever meu próprio conto. Enquanto isso ele ainda dorme.